O Vinculo do Alfa · Capítulo 2

O Alfa Na Porta

A delegacia parece pequena demais para conter a tensão que se instala. O policial mais novo se aproxima de mim, como se quisesse me proteger de Damian, mas eu sinto — com um instinto que não entendo — que isso só o irrita ainda mais.

Ele dá um passo à frente e o ar muda. É sutil, mas perceptível: como se a temperatura caísse um grau, como se algo invisível e poderoso tivesse acabado de entrar na sala.

— Alina — ele repete meu nome devagar, como se saboreasse cada sílaba. — Vamos para casa.

Casa. A palavra me atravessa como uma lâmina. Eu não sei onde é “casa”. Não sei por que ele fala como se tivéssemos anos de convivência. E, ao mesmo tempo, uma memória dispersa aparece: eu, sentada perto de uma lareira, observando ele preparar chá… preocupadamente. Como se estivesse cuidando de mim.

— Eu não vou a lugar nenhum — digo, firme, tentando ignorar o tremor da minha voz.

Damian ergue uma sobrancelha, e o canto de sua boca se curva num sorriso perigoso.

— Você sempre foi teimosa… mas nunca mentirosa.

O policial se irrita.

— Senhor Thorne, dê dois passos para trás. Agora.

O alfa o encara, e eu sinto a descarga de poder que sai dele — invisível, mas esmagadora.

— Estou calmo, policial. — Sua voz é tranquila, mas carregada de ameaça. — Só quero garantir que minha companheira não esteja sofrendo.

— Eu não sou sua companheira! — explodo, finalmente encontrando minha voz.

Damian para. O silêncio é pesado demais. Ele pisca uma vez. Depois outra. Como se estivesse tentando processar o que ouviu.

— Alina… — Sua voz falha pela primeira vez. — Você não lembra?

A pergunta me pega de surpresa. Eu não lembro. Ou lembro demais e não quero aceitar.

— Eu só sei que acordei presa. — sussurro. — E fugi.

Os olhos dele brilham em um tom dourado por um segundo. Não é imaginação. Eu sei que vi.

Os policiais não veem — mas sentem algo errado. Ambos colocam a mão na arma.

Damian ergue as mãos, como se estivesse provando que não é ameaça, mas seu olhar continua preso no meu.

— Eu nunca te machucaria — ele diz, mais baixo. — Você sabe disso. Aqui. — Ele toca o próprio peito, sobre o coração. — Mesmo que sua mente tenha apagado, seu corpo lembra.

Meu estômago se revirou. Porque algo em mim realmente reconhece aquelas palavras.

O policial mais velho se impõe:

— Chega. Senhor Thorne, vá para fora. A moça vai decidir se quer acompanhar você. E, até lá, não se aproxime dela.

Damian assente. Surpreendentemente, obedece. Mas antes de sair, ele me lança um último olhar. Intenso. Devastador.

— Alina, o vínculo não é uma prisão. — Ele fala na porta. — É destino. E você não escapa do destino.

Quando ele sai, sinto o ar aliviar, mas ao mesmo tempo… algo dentro de mim aperta, como se tivesse perdido algo essencial.

Os policiais respiram aliviados. Eu, não.

Porque, mesmo longe, eu ainda sinto ele.

Como se houvesse um fio invisível me puxando em sua direção.

E eu não faço ideia de como cortar esse fio.