O Vinculo do Alfa · Capítulo 3
Verdades Sob a Lua
Eu aceito fazer exames. Aceito responder perguntas. Aceito tudo o que a delegacia pedir. Menos uma coisa:
Ir embora com Damian.
Mas, quando a noite cai, o policial vem até mim com um copo de café e um olhar cansado.
— Alina… ele está aqui desde que você chegou. Não saiu da porta nem por dez minutos.
Meu coração aperta, sem motivo lógico.
— E o que isso prova? — pergunto, com sarcasmo.
Ele suspira.
— Que o sujeito está disposto a dormir no chão da delegacia por você.
Eu desvio o olhar. Não posso pensar nisso. Não posso permitir que sentimentos estranhos nublam o que aconteceu comigo.
Mas então a energia na sala muda.
Antes mesmo de o policial reagir, eu sinto. Um arrepio percorre minha espinha. Um calor profundo no peito. Ele está perto.
Damian aparece na porta da sala, encostado no batente, braços cruzados. Ele observa o policial sair e fecha a porta, sem trancar, mas com uma intenção clara: privacidade.
— Alina — ele murmura. — Você está tremendo.
— Porque você me assusta — admito.
Ele se aproxima um passo. Eu dou dois para trás.
— Eu nunca encostei em você sem permissão. — Ele respira fundo. — Nunca faria isso.
— Então explica! — explodo. — Explica por que acordei numa cabana! Por que fugi! Por que… por que você diz que sou sua companheira!
Damian fecha os olhos. Como se aquilo doesse nele. Quando abre, sua expressão está diferente: mais triste. Mais cansada.
— Você foi até mim. — Ele diz, devagar. — Você apareceu na floresta, ferida, sem memória, chamando meu nome como se eu fosse o único capaz de te salvar.
Sinto o chão sumir.
— Eu não… isso não faz sentido.
— Faz. — Ele dá outro passo, mais suave desta vez. — Você sente, não sente? Esse… chamado. Esse magnetismo. Essa dor quando estou longe.
Eu engulo em seco. Sinto. Sinto como se algo dentro de mim gritasse por ele. Como se o mundo ficasse errado quando ele não está por perto.
— Isso é o vínculo. — Ele continua. — Você é humana… ou achava que era. Mas seu sangue tem a marca. Seu destino sempre esteve entre os lobos.
— Eu não acredito nisso.
— Então me olha nos olhos e diz que não sente nada.
Olho. E fracasso.
Porque o que vejo — o que sinto — é avassalador.
Damian se aproxima mais um passo. Agora está perto o suficiente para eu sentir sua respiração.
— Eu posso te provar, Alina. — Ele murmura, tocando minha mão sem realmente encostar. — Mas precisa confiar em mim. Só um pouco.
O fio invisível pulsa. E por um segundo, apenas um, eu quero dizer sim.
Mas então uma lembrança invade minha mente: o uivo naquela noite, a floresta, o medo.
Eu recuo abruptamente.
— Não posso. Não agora.
Damian respira fundo. Mas não insiste.
— Eu espero. — Ele diz. — Mesmo que o mundo caia, eu espero.
E, quando sai da sala, o vazio dentro de mim volta a rugir.